Bruno Miranda era apenas uma criança quando descobriu a paixão pelo balé. Em 2000, ele participou do Projeto Dançando na Escola, uma iniciativa da rede pública de ensino de Santa Catarina. Sua professora, que também trabalhava na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, apresentou-lhe o universo da dança clássica. No ano seguinte, com apoio da família, Bruno ingressou no Bolshoi Brasil. Desde então, sua trajetória e a da escola se entrelaçam, tornando-se referências na dança nacional e internacional.
A trajetória do Bolshoi no Brasil
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (ETBB) foi fundada em 15 de março de 2000, em Joinville, Santa Catarina. É a única filial no mundo do renomado Teatro Bolshoi da Rússia e atua como uma instituição sem fins lucrativos. Com apoio da Prefeitura Municipal de Joinville, do Governo do Estado de Santa Catarina e de patrocinadores privados, a escola proporciona bolsas de estudo integrais para todos os alunos, garantindo acesso à formação de alto nível em dança clássica e contemporânea.
Ao longo dos 25 anos, a escola formou centenas de bailarinos, democratizando o acesso à arte e transformando vidas, como a de Bruno Miranda.
Histórias de superação e conquistas
Aprovado em um processo seletivo altamente competitivo, Bruno Miranda lembra com emoção do dia em que seu nome apareceu na lista de selecionados. “Minha mãe comprou o jornal para ver o resultado, e eu fiquei imensamente feliz. Passei oito anos na escola, depois integrei a Cia Jovem do Bolshoi por mais três anos. Foram 11 anos de dedicação à dança”, relata o bailarino, atualmente radicado na África do Sul.
Hoje, ele é bailarino, professor e coreógrafo do Joburg Ballet, em Joanesburgo. “Tudo o que conquistei foi através da dança. Vim de uma família humilde, e sem o Bolshoi, não teria tido acesso à formação que me permitiu atuar internacionalmente”, destaca.
A história de Maikon Golini segue um caminho semelhante. Ex-aluno e hoje professor e assessor artístico da direção da ETBB, Maikon ingressou na primeira turma da escola, em 2000, com apenas sete anos. “Sempre gostei de dança, mas não sabia que poderia ser uma profissão. No Bolshoi, essa percepção mudou, e minha meta passou a ser me tornar um bailarino profissional”, conta.
Com 25 anos de história, a Escola Bolshoi no Brasil se consolidou como uma das principais instituições formadoras de bailarinos do mundo. Com uma taxa de empregabilidade de 74%, já formou quase 500 profissionais para companhias de dança no Brasil e no exterior.
Inclusão e diversidade
A seleção para ingressar no Bolshoi Brasil é rigorosa, mas garante oportunidades para crianças e jovens de diversas realidades socioeconômicas. Os alunos recebem bolsas de estudo completas, que cobrem a formação em dança e disciplinas complementares, como música, teatro e línguas estrangeiras.
Apesar das bolsas, muitas famílias enfrentam desafios financeiros para manter os filhos estudando em Joinville. Para minimizar esses custos, surgiram as “mães sociais” – mulheres que acolhem e cuidam de alunos vindos de outras regiões, formando uma rede de apoio essencial para a permanência dos estudantes na escola.
“O comprometimento da família faz toda a diferença. O Bolshoi não forma apenas o aluno, mas também impacta sua família e comunidade”, explica Maikon Golini.
O impacto do Bolshoi no cenário da dança
A diversidade de alunos da ETBB reflete a abrangência da instituição, que recebe estudantes de várias partes do Brasil e de outros países. O objetivo é ampliar ainda mais esse alcance, incentivando a formação de talentos e promovendo a integração cultural.
“O Bolshoi é um espaço de trocas culturais, onde diferentes realidades se encontram. Muitas crianças chegam sem perspectiva de futuro e encontram na dança um novo caminho”, observa Maikon.
Planos para o futuro
Olhando para o futuro, Bruno Miranda quer continuar na dança, mas também expandir seus conhecimentos na área da saúde. Atualmente, ele está concluindo a graduação em nutrição e pretende se especializar em fisiologia e biomecânica do exercício para oferecer suporte aos bailarinos.
“A nutrição e a dança estão diretamente ligadas. Quero contribuir para o bem-estar dos bailarinos, ajudando na prevenção de lesões e no aprimoramento do desempenho”, explica.
Enquanto isso, a Escola Bolshoi no Brasil segue seu compromisso de formar novos talentos e democratizar o acesso à dança, reafirmando-se como um dos maiores centros de excelência da arte no país e no mundo.
Fonte: Agência Brasil